Assim escutada, resistência seria antes de mais como que o timbre da própria escrita – um timbre que lhe lavraria, para além da sua hiper-eticidade de princípio, um bem singular apolitismo hiper-político. Um apolitismo hiper-político que a situaria do outro lado da mundaneidade do mundo a fim de melhor velar por ela, e que, distanciando-a assim do próprio político pensado, como no essencial ele sempre foi, e continua maioritariamente a sê-lo, a partir da polis (da politeia, da res publica) e à luz do princípio de poder (e daí o apolitismo de princípio da escrita e deste pensamento da escrita), é todavia portador, e da promessa de muito criticamente repensar a imundice da dita mundialização do mundo, e da fé em novas Luzes para um novo mundo de Luzes por vir. Neste sentido, uma escrita digna do nome seria sempre uma escrita da resistência – de justa resistência e de re-invenção.»
Limiar, p. 10
| ISBN | 9789897032202 |
|---|---|
| Ano | 2018 |
| Editora | Palimage |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > Filosofia
Fernanda Bernardo
Fernanda Bernardo é professora de filosofia contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra – de longa data filosoficamente posicionada na Desconstrução e trabalhando na intersecção da filosofia com a literatura, a poética, as artes do visível, a ética e a política. Para além de tradutora de Jacques Derrida, de Emmanuel Levinas, de Maurice Blanchot e de Jean-Luc Nancy, é também autora de vários escritos, em revistas e obras colectivas nacionais e internacionais, “sobre” estes autores, de que se lembrarão aqui apenas os títulos dos do ano em curso: “Jean-Luc Nancy – peut-être du côté de l’anastasis”; “Les Carnets de Captivité – par-delà la mort, une ouverture sur le visage de Levinas. Entretien avec Alain David”; “A assinatura ético-metafísica da experiência do cativeiro de Emmanuel Levinas. Uma nova orientação para a filosofia – uma outra incondição para o humano”; “L’athéisme messianique de Derrida. “Penser et Agir à Contretemps” ou La portée hyper-politique de la Déconstruction”; “Moradas da Promessa. Demorança & Sobre-Vivência: Aporias da fidelidade infiel. Em torno do pensamento e da obra de Jacques Derrida”; “Penser le monde – Faire l’impossible: penser (et) agir à contretemps (La question de l’action dans la trace de Kant et de Heidegger contresignée par Derrida)” e “A “loucura” do perdão – um “impossível” da desconstrução derridiana”; “E. Levinas – J. Derrida: pensamentos da alteridade ab-soluta”. Membro do Comité Científico de Filosofia do SSHRC – CRSH (Canadá/2012), Fernanda Bernardo foi também a Representante de Coimbra-Cidade refúgio (2003-2006) no Réseau International des Villes Refuge afecto ao Parlement International des Écrivains (Strasbourg). |


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