Indispensável. Numa palavra seria esta a qualificação do livro de Joacine Katar Moreira que aqui se apresenta. E indispensável por múltiplas razões: porque permitirá à leitora e ao leitor aprender tanto como aprendi eu sobre a história contemporânea da Guiné-Bissau; porque desenvolve uma análise fina e sofisticada de como essa história foi e é, também,organizada por um dos processos primordiais de todas as sociedadeshumanas – o género; porque aponta claramente um dos elementoscentrais, até aqui oculto de toda e qualquer análise sobre a realidadeguineense, geradores da instabilidade e violência dos processos sociopolíticos da Guiné-Bissau – as formas de (hiper)masculinidadehegemónica que monopolizam a competição pelo poder estatal.
[Pedro Vasconcelos]A cultura di matchundadi, hipermasculina, move-se dentro dasestruturas do Estado, procurando fazer da matchundadi endémicauma matchundadi sistémica. Ou seja, procura institucionalizar ummodus operandi e uma visão do mundo na qual impera a lei do maisforte, do mais poderoso e sobretudo do mais violento, ao mesmotempo que esta hipermasculinidade traduz as características associadas aos homens e às masculinidades, tais como a redistribuiçãodos recursos, a protecção (e enriquecimento) do seu clã e a ameaçapermanente aos adversários políticos. Assim, a cultura di matchundadi é altamente performativa mas com consequências que colidemcom o ambiente democrático e a paz social, pois vive do mimetismopolítico e assenta no confronto constante, na demonstração de força de uns sobre outros.
[Joacine Katar Moreira]| ISBN | 9789899006317 |
|---|---|
| Ano | 2022 |
| Número de páginas | 216 |
| Edição | 2 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Documenta |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > Sociologia
Joacine Katar Moreira
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