Com base no trabalho de campo levado a efeito ao longo de dois anos e meio (1976-78) numa pequena povoação de Trás-os-Montes (e que incluiu nomeadamente a consulta de registos paroquiais, róis de confessados e outras fontes históricas locais), o antropólogo norte-americano Brian Juan O’Neill apresenta-nos neste seu livro uma imagem completamente nova das estruturas sociais existentes nas aldeias do Nordeste. O chamado «comunitarismo» – que se julga caracterizar grande parte das comunidades rurais no Norte do País – é questionado e sujeito a uma re-análise crítica. Através de três aspectos fundamentais – a posse da terra, as trocas de trabalho, as práticas de casamento e herança – evidenciam-se formas de desigualdade institucionalizada que obrigam a pôr definitivamente em causa a visão tradicional destes aglomerados montanhosos como conjuntos homogéneos não-estratificados. Esta monografia representa uma nova tentativa no sentido de conjugar métodos específicos de pesquisa da Antropologia e da História Social.
O posfácio desta última edição é uma amostra da atualização crítica de métodos e conteúdos, bem como de um empenhamento permanente do autor na obra feita. Através desta nova edição, o trabalho e a memória não ficaram órfãos nas estantes de um qualquer arquivo.
| ISBN | 9789723611571 |
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| Ano | 2011 |
| Número de páginas | 482 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Afrontamento |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > Sociologia > Ciências Sociais
Brian Juan O’Neill
Brian Juan O’Neill nasceu em Nova Iorque em 1950, de origem familiar irlandesa,porto-riquenha e andaluza (pela linha paterna) e alsaciana-alemã (pela materna).Licenciou-se em 1972 em Literatura Comparada na Universidade de Columbia, Nova Iorque, e efectuou um trabalho de campo sociolinguístico numa aldeia serrana da província de Lugo na Galiza, obtendo em 1974 o mestrado em Sociologia da Literatura na Universidade de Essex, Inglaterra.Já seduzido pela convivência nessa comunidade camponesa galega e pelas paisagens rurais do Alto Trás-os-Montes, permaneceu num lugar de Vinhais entre 1976 e 1978 comobolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. A presente obra, fruto daquele trabalho de investigação, é a tradução da sua tese de doutoramento em Antropologia, defendidaem 1982 na London School of Economics. A edição inglesa foi publicada em 1987 (e reimpressa em 2007, com versão on-line 2009) pela Cambridge University Press.Actualmente analisa as múltiplas identidades sociais da comunidade crioula ‘portuguesa’ de Malaca (Malásia); através do conceito de Eurásia, desenvolve reinterpretaçõescríticas dos elos culturais íntimos – antes ignorados ou branqueados – entre o Ocidente e o Oriente. O autor é investigador e co-fundador no pólo-ISCTE do CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia) e Professor Catedrático do Departamento de Antropologia,Escola de Ciências Sociais e Humanas, ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa).
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