A ópera a que Cabrita Reis [Lisboa, 1956] se refere no título desta exposição, Pagliacci, é considerada uma peça do verismo de Leoncavallo, autor contemporâneo de Wagner, e aparece como leitmotiv de um projecto desenvolvido especialmente para a Galeria Trem e agora exposto na Ala da Frente – uma série de desenhos que se sobrepõem a imagens do álbum pessoal do artista, nada oficiais e, algumas delas, profundamente íntimas. O artista, nestas imagens, ora actua ora se despe para uma plateia que não conhecemos, mas da qual passamos a fazer parte, convocados, pela obra, a participar desta claque. Há um desvelamento absoluto em cada uma mas, ao mesmo tempo, marca-se claramente um distanciamento entre artista e espectador, entre personagem e persona, entre Cabrita Reis e as suas imagens. Porque o artista não se expõe, reinventa-se. [ ]O artista é uma pessoa e é para ela que o autor escreve a sua ópera. O fato de palhaço é apenas um fato. Também a obra de Cabrita Reis é um fato que lhe cai bem e que ele exibe com mestria, ao mesmo tempo que nos convida a participar da sua intimidade, confundindo-nos com a sua obra-fato-artista. Sem ser um autor romântico, Cabrita Reis persegue a obra de arte total a cada nova exposição, a cada nova mostra daquilo que faz e que é parte integrante daquilo que ele é.
Mirian Tavares
| ISBN | 9789898834386 |
|---|---|
| Ano | 2016 |
| Editora | Documenta |
| Categorias |
Livros > Artes > Arte
Pedro Cabrita Reis
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