A separação só não foi mais dolorosa porque foi rápida: depois de um último beijo Mariana, sem se voltar, correu na direção da porta da sacristia e desapareceu, envolta pelo mesmo perfume que a materializou ali, meia hora antes. Ouviu-se a seguir a porta a fechar-se e Onofre ficou novamente só, na paz daquela ermida. Preparava-se para rezar e seguir viagem e, nesse sentido regressar à dura realidade do seu mundo hostil. Pôs-se de joelhos sobre o soalho de madeira carcomida pelos anos:
– Pai nosso que estás no céu, santificado seja o Vosso nome…
• Não terminara ainda a oração primordial dos católicos quando um ruído estranho e inesperado, vindo do velho confessionário ali à sua mão esquerda o fez parar e saltar como animal feroz. Sem delongas, jogou as mãos, antes piamente postas, violentamente à porta do confessionário que rangeu nos gonzos e exibiu o seu interior, escondido, com ar espantado, mas exibindo um estranho e cínico sorriso estava o diabo…
| ISBN | 9789895666201 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 450 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Colibri |
| Categorias |
Livros > Literatura > Prosa Narrativa
Jorge Branco
Jorge Porfírio Nunes Branco nasceu na aldeia de Comenda, Gavião, Portalegre. Licenciou-se em medicina, em Lisboa, em 1979. Tem a especialidade de medicina geral e familiar que exerce desde 1980 até hoje (2024). Como médico de família trabalhou nos centros de saúde de Almada, Barreiro, Quinta da Lomba, Sacavém, Prior Velho e Marvila (Lisboa), onde ainda se mantém. Entre 1989 e 1994 foi médico no hospital prisional de Caxias. Escreveu primeiro, dois livros de cariz científico e em 2014 aventura-se na ficção, a partir da realidade profissional e da análise sociológica dos seus utentes, repetindo a dose e o estilo em 2022; em 2015, lança outro livro de ficção baseado nas memórias juvenis, na aldeia natal, primeiro duma trilogia, que passou por “Comenda com Gente…”, em 2018, e que será completada com “Comenda com História”. Da sua vivência no ambiente prisional, editou “Crónicas Prisionais”, em 2016. Mais recentemente, em 2023, publicou “A Quadrilha dos Galhardos e Outros Contos”. A escrita é como um vício, quem o apanha raramente se cura completamente, e, neste caso, ainda bem. Se ele continuar, como é expetável, mais títulos surgirão, no futuro imediato. |


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