“Tinha eu dez anos quando o meu pai, professor de Matemática no Liceu Pedro Nunes, abriu a Introdução à Filosofia Matemática (1919), de Bertrand Russell, e me leu a sua definição de número: “O número de uma classe (conjunto) é a classe de todas as classes que lhe são semelhantes”. E explicou-me: o que há de comum a três livros, um trio de Beethoven e a Santíssima Trindade? O número 3!
A partir desse momento, Lorde Russell – matemático, filósofo, activista e futuro Prémio Nobel da Literatura em 1950 -, passou a integrar a minha vida. Em Oxford, devorei os três volumes da sua autobiografia publicados sucessivamente em 1967-69. Aprendi o Decálogo Liberal que Lorde Russell, “como professor, gostaria de promulgar”. Sempre me impressionou o 9.º mandamento: “Sê escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois é ainda mais inconveniente quando tentas escondê-la.”
Foi o que almejei fazer ao longo deste Após a Bomba. Quanto ao 1.º mandamento, “Não te sintas absolutamente certo de nada”, define o pensamento científico.
Ao pôr o ponto final neste livro, tenho apenas uma certeza: se toda a ciência é um infinito poema épico, a definição russelliana de número é o mais belo de todos os versos.
| ISBN | 9789897854378 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 312 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Gradiva |
| Categorias |
Livros > Ciências > Matemática
Jorge Calado
Jorge Calado tem desenvolvido carreiras paralelas nas ciências e nas artes. Licenciou-se em engenharia química pelo Instituto Superior Técnico (IST), e doutorou-se em química pela Universidade de Oxford. Professor catedrático (emérito) de química-física no Instituto Superior Técnico, foi também professor catedrático-adjunto de engenharia química na Universidade de Cornell, NY. Publicou mais de 170 artigos em revistas internacionais sobre termodinâmica de líquidos moleculares e energética das apatites e gerou mais de 130 doutoramentos diretos e indiretos. Foi o primeiro químico a receber o Prémio Ferreira da Silva, o mais alto galardão da Sociedade Portuguesa de Química. Membro de várias comissões científicas internacionais (no âmbito da IUPAC, Conselho da Europa, OTAN, INTAS e UE), foi também membro da Junta de Diretores e diretor executivo da Comissão Cultural Luso-Americana. É sócio efetivo da Academia de Ciências de Lisboa desde 1988. Muito interessado nas relações entre as ciências e as artes, regeu cursos como “A Arte da Ciência” e “Arte, Ciência, Técnica e Sociedade” em Cornell e no IST. Autor do capítulo sobre Ciência na história da “Fundação Calouste Gulbenkian: Cinquenta Anos 1956-2006”. É crítico cultural do semanário “Expresso” desde 1986, e contribuiu para o “Times Literary Supplement” (história e filosofia da ciência), “Opera News”, “Opera Now” e “Agenda XXI”. Concebeu e dirigiu os primeiros cursos de pós-graduação em Administração das Artes em Portugal (no Instituto Nacional de Administração), e fundou a IST Press. Em 1987, a pedido da Secretaria de Estado da Cultura, criou a Coleção Nacional de Fotografia. Comissariou mais de 25 exposições de fotografia em Portugal, França, Bélgica, Reino Unido e EUA. O seu livro mais recente é Limites da Ciência, publicado pela FMS em 2014. |


Reviews
There are no reviews yet.