Delirar a Anatomia reestuda as partes do corpo, acumulando e entrelaçando visões díspares — poéticas exageradas, simplistas, descabidas, ignorantes e eruditas — para conceber um corpo que dança. Propõe um estudo que isola as diferentespartes (boca, pele, coração, joelho, esfenoide, nuca, intestinos, etc.) para tentar ver o corpo não como um todo — máquinaútil —, mas como um ser de diversos, composto de plurissistemas. Para desviar o foco do eu-corpo-todo-potente ou doeu-corpo-que-me-mata, talvez se possa propor um corpo-plural composto de diversas potências.
[…]Quando comecei a dançar, no início da década de 2000, o pensamento de Antonin Artaud e especificamente o texto«Corpo sem órgãos» desenvolvido por Deleuze e Guattari em Mil Planaltos estavam em voga no contexto da dança contemporânea. Coreógrafos, críticos e bailarinos evocavam constantemente este texto para atualizar (e por vezes justificar) oscorpos presentes na dança, corpos que se afastaram da dança clássica e da dança moderna. Voltei a encontrar Artaud nomeu interesse pelo Butô e, concretamente, em Hijikata Tatsumi, grande apaixonado pelo escritor, e
que trabalhou na coreografia de um corpo viradodo avesso, um corpo que fala desde as suas entranhas, e também um corpo que não-pertence —um corpo que não pertence aos cânones estéticose sociais estipulados pela sociedade japonesa dosanos 60.
Delirar a Anatomia, como tantos outros projetos, está na continuidade dos processose do corpo pensado por Artaud. Manifesta o desejo devirar o corpo do avesso e procurar na constituiçãofísica dos corpos um mundo livre, sensual e à medida de cada 1.
[Ana Rita Teodoro]| ISBN | 9789898833891 |
|---|---|
| Ano | 2022 |
| Número de páginas | 204 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Documenta |
| Categorias |
Livros > Artes > Teatro
Ana Rita Teodoro
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