Será que, com o vislumbre da morte, alcançamos a revelação do sentido da vida?
“”As luzes da cidade iluminavam a sua vida distante.
As mesmas casas. As mesmas ruas. Os mesmos
vestígios de vida rezavam, em silêncio, no recôndito
da promessa. Até a noite possuía a sua vida e o seu
encanto. A luz opaca, gasta como um chinelo
demasiado usado, semelhante a uma sentinela na
aurora, cercava a pequena porta de entrada da
minha casa. Um portão que havia tido melhores
dias, mas eu não possuía nem dinheiro, nem
paciência para o reparar.
Acendi um cigarro.”
Acabado de acordar, com vislumbres de um sonho
distante e vago na sua mente, o personagem —
que podia ser qualquer um — é confrontado com
uma dúvida aterradora que se abriga,
impunemente, no seu espírito: E se o que acabara
de sonhar era a sua própria morte?
João Matias, neste romance intenso em que faz a sua estreia literária, prefaciado porManuel Torre, numa escrita intimista entre a prosa e a poesia, faz o registo quasebiográfico de um moribundo, com recortes de delírios ou nuances do absurdo dacondição humana perante a incongruência da morte, e revela como somosconstantemente confrontados e transportados para um quotidiano — que é o nossopróprio quotidiano — cada vez mais alienado e conformado com a sentença premonitória.Em Diário de uma sombra, na busca de redenção inacessível, tendo a morte como fielamiga e companheira, uma questão prevalece desde o início até ao fim da trama: Seráque, com o vislumbre da (nossa) própria morte, alcançamos a revelação do sentido da(nossa) vida?
| ISBN | 9789899069770 |
|---|---|
| Ano | 2025 |
| Número de páginas | 326 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Gato Bravo |
| Categorias |
Livros > Literatura > Prosa Narrativa
João Matias
João Matias nasceu em 1994. Desde então, tem vindo a dialogar com o abismo — em silêncio, sem pressa e sem medo de cair. Aprendeu que escrever é uma forma de resistir à dissolução. Por isso escreve — não para se mostrar, mas para não desaparecer. Vive entre livros, ideias, sombras e memórias que regressam quando menos espera. Raramente sabe onde acaba o autor e começa o narrador — e talvez isso não importe. Se o procurarem, é possível que o encontrem num lugar onde o tédio se cruza com a metafísica, ou onde um diário foi deixado aberto sobre uma mesa vazia. Esta é a sua primeira obra de ficção. |


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