«Pululam hoje pela indústria cultural, pelos círculos mediáticos e pela universidade estudiosos e opinion makers que fazem do populismo uma espécie de fascismo do século xxi. Após a Segunda Guerra Mundial, como é sabido, o “fascismo” deixou de ser tratado como uma corrente política e cultural para se transformar num cómodo “significante vazio” destinado a designar tudo quanto seja odioso e desprezível. Obscureceu-se o caminho de acesso ao fascismo histórico na mesma proporção em que emergiu um “fascismo eterno”. Do mesmo modo se passa hoje com o populismo. O conceito é mobilizado pejorativamente para designar um modo simplesmente ignóbil e repugnante de fazer política, e oferece-se como particularmente útil, em discussões acaloradas, para estigmatizar rapidamente adversários sem a maçada de demais discussões. Ora, esse modo de usar o conceito encerra um problema que não é despiciendo: ele não só ignora a história dos fenómenos caracterizáveis como populistas, muito variados, mas sobretudo tolda a possibilidade de encontrar no próprio conceito possibilidades à partida insuspeitadas e uma fecundidade inicialmente imprevista.»
| ISBN | 9789722072816 |
|---|---|
| Ano | 2021 |
| Número de páginas | 336 |
| Edição | 1 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Dom Quixote |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > Ciência Política
Alexandre Franco de Sá
Alexandre Franco de Sá nasceu em Lisboa, em 1972. Estudou Filosofia na Universidade Católica Portuguesa, na Universidade de Lisboa, na Universidade de Freiburg (Alemanha) e na Universidade de Coimbra, onde fez o doutoramentoe é Professor. Tem publicado, orientado estudantes e exercido atividade científica em várias universidades europeias e americanas e, em particular, participa do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (Brasil). Publica sobre vários temas, mas tem-se dedicado, de forma mais especializada, à filosofia política contemporânea. É autor dos livros Metamorfose do Poder (Coimbra, 2004; Rio de Janeiro, 2012), O Poder pelo Poder (Lisboa, 2009) e Poder, Direito e Ordem: ensaios sobre Carl Schmitt (Rio de Janeiro, 2012). |


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