Neste José Matias, belíssimo conto de Eça, aqui publicado, pela primeira vez, numa edição individual, José Matias, o protagonista, já nasce morto. Está uma linda tarde e ele vai a enterrar. Quem revive os enigmas de José Matias, a sua tensa turbulência, a sua agitada e idiossincrática paixão amorosa, é um amigo, professor de filosofia que, com José Matias, partilhou o gosto e a defesa da filosofia de Hegel. O professor de filosofia interpela outro amigo e convida o a que assista ao funeral, aproveitando a linda tarde que contrasta com a última vez que viu Matias, «numa tarde agreste de Janeiro, metido num portal da Rua de São Bento, tiritava dentro de uma quinzena cor de mel, ruído nos cotovelos, e cheirava abominavelmente a aguardente».
A figura humilde e humilhada, sofrida, de José Matias a tiritar de frio é, obviamente, a figura de um apaixonado. Sofre por amor. Ou talvez se deva dizer que se exalta e transcende por amor.
É essa história de amor – história singularíssima, por ser uma história de recusa do corpo e de exacerbação, talvez perversa, do espírito –, que Eça nos conta, antecipando-se a Freud, ou não caminhasse a ficção alguns passos à frente de muita ciência.
| ISBN | 9789895760619 |
|---|---|
| Ano | 2024 |
| Número de páginas | 72 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Guerra & Paz |
| Categorias |
Livros > Literatura > Prosa Narrativa
Eça de Queirós
Eça de Queirós nasceu em 1845. Depois do liceu no Porto, cursou Direito em Coimbra. Viveu em Havana, Newcastle, Bristol e Paris. A sua obra maior é o romance Os Maias, publicado em dois volumes em 1888, na sequência de títulos como O Crime do Padre Amaro (1875), O Primo Basílio (1878) ou A Relíquia (1887). Grande parte da sua obra foi publicada depois da sua morte, a 16 de agosto de 1900, em Paris. |


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