Como aproximarmo-nos de O livro das aproximações, se a proximidade dos objetos nos leva a uma paradoxal miopia? Será que João Guilhoto nos deixará no alto da montanha enevoada apenas a ouvir a voz do vento?
Com ele o leitor irá saltar de efémero em efémero procurando a eternidade através da torção e distensão de paradoxos, antíteses e oxímoros, numa viagem pela cidade, pelos comboios e pelo corpo da amante sob uma vela na varanda.
Guilhoto mobiliza com engenho a lógica do avizinhamento e inversão de palavras aparentemente inconciliáveis, procedimentos tidos como exclusivos dos escritores de língua alemã. Uma ousadia executada com inaudito destemor em língua portuguesa. Kafka, Musil e Walser são mencionados, mas Hermann Broch parece ser o modelo das sombras iluminadoras que o autor projeta no silêncio das palavras.
A ascese terrena, assim como a paixão, será perseguida por este escrevinhador de grande apelo cognitivo, amálgama de Nietzsche e Herberto Helder, através de fragmentos, aforismos e passagens oníricas para que tenhamos consciência da vulnerabilidade do nosso tempo humanizado, visto que somos apenas partículas ilegíveis do universo. Se por um lado a escrita de Guilhoto nos lembra que somos inevitavelmente estoicos irrealizados, por outro nos conforta com as certezas da dúvida. Ele desdenha com refinado humor a feitura de um livro infinito, mas as suas palavras insistem em não se despedir de nós.
| ISBN | 9789893628713 |
|---|---|
| Ano | 2025 |
| Número de páginas | 88 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Editora Nós |
| Categorias |
Livros > Literatura > Prosa Narrativa
João Guilhoto
Nasceu em Lisboa em 1987 e vive atualmente na Alemanha. Lançou o seu primeiro livro no Brasil em 2015: “O livro das aproximações”, uma coleção de fragmentos. Publicou vários contos, poemas e crónicas em publicações como a Folha de São Paulo, a LER, a Cult, e o Jornal Rascunho. “Rasto de espuma” é a sua primeira coleção de poesia. |


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