Português:Amália Rodrigues (1920-1999), a mais célebre fadista de todos os tempos, foi também uma poeta notável, embora só nos últimos anos da sua extraordinária carreira tenha decidido cantar de forma sistemática os seus próprios versos e autorizado a sua publicação.
Os poemas de Amália, inscrevendo-se numa tradição lírica popular mas ao mesmo tempo refletindo o seu conhecimento profundo da obra de alguns dos maiores poetas da Língua Portuguesa, que tinha cantado ao longo de toda a sua carreira, abrangem um leque muito amplo de temas e de emoções, desde exemplos de jogos de palavras habilidosos e cheios de humor, à evocação idealizada de tradições rurais multisseculares e à expressão de um profundo sentimento de desespero face à inevitabilidade de uma permanente angústia interior ditada pelo destino. Deste modo, transmitem-nos a essência da visão do mundo contida na lírica fadista e ajudam-nos a compreender melhor esta canção tão caracteristicamente portuguesa, que ao longo de dois séculos soube captar tanto da identidade cultural essencial de Portugal e foi, enquanto tal, inscrita pela UNESCO na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade.
Esta edição bilingue contém todos os seus poemas já publicados, pela primeira vez traduzidos para Inglês por Jamie Rising, ilustrações originais de André Carrilho e um novo estudo crítico introdutório da autoria do mais reconhecido historiador atual do Fado, Rui Vieira Nery
Amália Rodrigues (1920-1999), the most acclaimed fado singer of all time, was also a remarkable poet, even though it was only in the final years of her life that she decided to sing her own poetry consistently and authorized its publication. Amália’s poems, written in a popular vein but at the same time reflecting her deep understanding of some of the greatest poets of the Portuguese language, whose work she had sung throughout her career, cover a wide range of topics and emotions – from witty, good-humored wordplay to the idealized evocation of time-honured rural traditions, and to the dramatic expression of aprofound sense of despair in the face of an unappealable sentence of constant inner anguish dictated by destiny. Thus, they capture in many ways the veryessence of fado’s lyrical worldview, allowing us to better understand this uniquely Portuguese song that for the past two centuries has so captured and enshrined much of Portugal’s cultural identity and as such was inscribed by UNESCO on the Representative List of the Intangible Cultural Heritage of Humanity. The present volume contains all of her published poems, for the first time in a fully bilingual edition, with English translations by Jamie Rising, original illustrations by André Carrilho and a new critical introduction by fado’s foremost historian, Rui Vieira Nery.
English: Amália Rodrigues (1920-1999), the most acclaimed fado singer of all time, was also a remarkable poet, even though it was only in the final years of her life that she decided to sing her own poetry consistently and authorized its publication. Amália’s poems, written in a popular vein but at the same time reflecting her deep understanding of some of the greatest poets of the Portuguese language, whose work she had sung throughout her career, cover a wide range of topics and emotions – from witty, good-humored wordplay to the idealized evocation of time-honured rural traditions, and to the dramatic expression of aprofound sense of despair in the face of an unappealable sentence of constant inner anguish dictated by destiny. Thus, they capture in many ways the veryessence of fado’s lyrical worldview, allowing us to better understand this uniquely Portuguese song that for the past two centuries has so captured and enshrined much of Portugal’s cultural identity and as such was inscribed by UNESCO on the Representative List of the Intangible Cultural Heritage of Humanity. The present volume contains all of her published poems, for the first time in a fully bilingual edition, with English translations by Jamie Rising, original illustrations by André Carrilho and a new critical introduction by fado’s foremost historian, Rui Vieira Nery.
| ISBN | 9789895365722 |
|---|---|
| Ano | 2022 |
| Número de páginas | 320 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Dilúvio |
| Categorias |
Livros > Literatura > Poesia
Amália Rodrigues
Amália da Piedade Rodrigues nasceu em Lisboa, a 1 ou 23 de julho de 1920, no seio de uma família de imigrantes da Beira Baixa. Após algumas experiências iniciais como amadora, começou a sua carreira profissional aos 19 anos, primeiro no circuito das casas de Fado, começando pelo Retiro da Severa, e em seguida também nos teatros de revista (1940-1946). Quando participou nos seus primeiros filmes, Capas Negras (Armando Miranda) e Fado, História de uma Cantadeira (Perdigão Queiroga), em 1947, era já a fadista mais consagrada e melhor paga da sua geração. A sua primeira apresentação internacional teve lugar na Embaixada Portuguesa em Madrid, em 1943, ao que se seguiram duas longas temporadas no Brasil (1944-46), concertos em Paris e Londres (1949), uma extensa digressão europeia sob o patrocínio do Plano Marshall (Berlim, Roma, Trieste, Dublin, Berna e Paris), bem como apresentações triunfantes no México e nos Estados Unidos. Em 1955, o êxito da sua participação no filme Les Amants du Tage (Henri Verneuil) fez com que fosse convidada no ano seguinte a cantar numa das salas de espetáculos de maior prestígio na Europa, o Olympia de Paris, e durante mais de três décadas atuou em muitos dos festivais e salas de espetáculos mais relevantes do mundo, tanto na Europa (incluindo uma digressão pela ex-União Soviética e duas participações no Festival de Brașov, na Roménia socialista) como no Brasil (Canecão), nos Estados Unidos (Lincoln Centre, Holywood Bowl, Carnegie Hall), no Japão (Sankei Hall) e no Médio Oriente, afirmando-se deste modo como a mais célebre personalidade artística portuguesa no circuito musical mundial. No início da sua carreira cantava sobretudo os fados estróficos tradicionais, mas a partir da sua entrada no Teatro, na década de 1940, os seus maiores sucessos passaram a ser os fados-canção com coplas e refrão, especialmente os do compositor Frederico Valério. Nos anos 50 teve um papel decisivo ao conseguir que alguns poetas eruditos significativos (Pedro Homem de Melo, David Mourão-Ferreira, Luiz de Macedo, Sidónio Muralha) começassem a escrever para o Fado. Nas duas décadas seguintes a sua colaboração com o compositor luso-francês Alain Oulman levou ao desenvolvimento de um novo tipo de Fado, com uma estrutura harmónica mais complexa e formas poéticas de métrica mais diversificada, o que lhe permitiu alargar o seu repertório a outros poetas contemporâneos (incluindo Manuel Alegre, José Carlos Ary dos Santos, Alexandre O’Neill e a brasileira Cecília Meirelles), bem como a alguns dos mais representativos poetas da Literatura Portuguesa do passado (dos trovadores medievais a Luís de Camões e aos Românticos), para lá, já no final das sua carreira, à sua própria poesia. Estabeleceu assim uma ponte única entre a cultura erudita e a popular. Mas o seu repertório de concerto incluía igualmente canções tradicionais portuguesas de outros géneros, bem como um largo espectro de canções populares urbanas espanholas, francesas, italianas, brasileiras, mexicanas ou norte-americanas. Retirou-se dos palcos em 1994, por motivos de saúde, e morreu em sua casa, em Lisboa, a 6 de outubro de 1999. Recebeu numerosos prémios e condecorações, tanto em Portugal (Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada, Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa) como em França (Comendadora da Ordem das Artes e Letras, Medalha de Vermeil da Cidade de Paris, Legião de Honra) e Espanha (Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica). O seu funeral reuniu uma multidão de centenas de milhares de pessoas nas ruas de Lisboa e o seu corpo foi posteriormente tresladado para o Panteão Nacional – a primeira vez que tal sucedeu com um artista. A Fundação Amália Rodrigues, estabelecida pelo seu testamento, é uma instituição cultural e social que desenvolve um trabalho de preservação, estudo e divulgação da sua vida e obra, gerindo nomeadamente a Casa-Museu Amália Rodrigues, e distribuindo ainda os Prémios Amália Rodrigues em diversas categorias musicais. Uma edição integral da sua discografia, incluindo numerosas versões alternativas e gravações ao vivo, está presentemente em curso, coordenada por Frederico Santiago. |


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