Em boa verdade não podemos afirmar que o que sucedeu ao pós-25 de Abril foram apenas fracassos. Não seria verdade e injustiçaria muitos dos agentes – militares, sociais, políticos – deste período. Mas que se poderia ter feito mais e muito melhor é uma evidência; que deixámos progredir no Poder, em todos os poderes, indivíduos completamente incapazes e muitas vezes corruptos é indesmentível.
Em Portugal? Não há justiça, há paródia de justiça. Saúde com falhas graves: vão ver como funciona na Bélgica. Corrupção generalizada e a to- dos os níveis sociais, privados e públicos, uma vergonha. (In)decisões económicas simplesmente monstruosas. Casos TAP / TGV / Novo aeroporto, entre muitos outros, simplesmente impensáveis e incompreensíveis.
E aqui, no caos total em que vivemos? Senhores políticos e senhores líderes aprendam algo muito simples, aprendam a copiar e viagem pelo mundo a ver fazer. Evitem que o país se afunde definitivamente no pântano e tenham um mínimo de respeito por netos e bisnetos, não os obrigando a pagar um preço incomportável. Evitem seguir o caos da primeira república de tão má memória. Não permitam o reles assassinato de Abril.
***
Abril-25, não estando directamente envolvido, tinha conhecimento razoável do que se ia passando e num determinado dia aconteceu, num florescer de cravos. O impossível tornou-se possível e vivencial.
Viveu-se a euforia dos novos tempos e da nova vivência e poucos seriam os que não sentiram fisicamente os grandes princípios da liberdade, igual- dade e fraternidade. Por pouco, muito pouco, escaparíamos à guerra civil, mas tudo pareceu possível. Felizmente, Novembro corrigiria muitas loucuras e confirmaria vectores de liberdade propiciando a instauração de um poder democrático que ao longo do tempo, e infelizmente, se foi transformando em partidocrático.
Subsiste uma interrogação: em que medida foram alcançados os três d – democracia, descolonização, desenvolvimento? Os netos e bisnetos de Abril saberão dar uma resposta mais objectiva.
| ISBN | 9789895665709 |
|---|---|
| Ano | 2025 |
| Número de páginas | 450 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Colibri |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > História
José de Almeida de Serra
José de Almeida de Serra nasceu em 1942 no interior serrano e beirão, licenciando-se em economia pelo ISCEF em 1968. Esporadicamente, foi professor do ISCEF, do primeiro curso de mestrado do IST e da Escola Superior de Comunicação Social. Profissionalmente, foi técnico, director e administrador do inesquecível Banco de Fomento Nacional (1968-82), tendo ainda sido administrador de outros dois bancos e de uma multiplicidade de empresas. No IV Governo Provisório e com ajudas várias montou a ponte aérea para Angola que propiciaria o retorno a Portugal de mais de 500 mil cidadãos, dos quais 320 mil por avião. Responsável, pro-bono. pela negociação com várias ex-colónias (Guiné, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e Moçambique). Director geral da Comissão Europeia (pescas) durante cerca sete anos. Quadro directivo de várias associações (designadamente CEEPS, SEDES, IED; CEDI, Clube Português do Benelux). |


Reviews
There are no reviews yet.