Nesta obra, como em todas as outras, Locke anuncia e prepara o grande movimento do Iluminismo, que culminará com Voltaire. Locke distingue primeiramente as três ordens da força, da razão e da fé. Em seguida, afirma que todos os homens pertencem a duas sociedades: a civil e a religiosa. O problema da intolerância resulta da confusão entre estes dois domínios: a sua confusão é prejudicial quer à saúde do corpo social como à busca da saúde individual. Cabe à força política impedir que interfiram, sem se preocupar com a saúde das almas nem da fé, sobre as quais o governo não tem qualquer direito. O poder do estado não saberia efectivamente estender-se além dos interesses temporais da sociedade; está aqui um princípio cardinal da filosofia liberal, da qual Locke pode ser considerado fundador. Quanto às Igrejas, são instituições privadas, que não afectam em nada a colectividade. O Estado não pode intervir no seu funcionamento ou regulamentar os cultos a não ser que estes se revelem atentatórios do direito das pessoas ou do bom caminho da sociedade. É o princípio da laicidade do estado que é aqui colocado, com uma nitidez sem precedentes. Em nome deste princípio, Locke reclama a igualdade de direitos para todos os cultos, sem diferença.
| ISBN | 9789724416748 |
|---|---|
| Ano | 2018 |
| Número de páginas | 160 |
| Edição | Reimpressão 2021 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Edições 70 |
| Coleção | Textos Filosóficos |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > Filosofia
John Locke
Filósofo empirista e teórico da «razoabilidade», John Locke é considerado um dos maiores expoente do Iluminismo inglês. Participante activo na turbulenta vida política da época, foi um dos primeiros teorizadores do liberalismo. Autor de escritos sobre filosofia, religião, educação e política, tem ainda, séculos depois da sua morte (1704), influência decisiva no pensamento político e na consciência cultural do Ocidente. |


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