Nesta terceira edição aumentada de Cartas na Mesa, reúnem-se cinquenta e duas cartas ebilhetes-postais enviados por Luiz Pacheco a Serafim Ferreira entre Abril de 1966 e Setembrode 1998. Nelas, pode observar-se o propósito epistolar do autor de Textos Malditos, desempre se mostrar incómodo, implacável e cáustico nas muitas setas (literárias) desferidas emvárias direcções, por ser claramente um observador privilegiado da nossa literatura.De facto, pouco ou nada escapa a Luiz Pacheco, porque tudo ele anota ou aponta,recrimina ou lamenta através da mais viva mordacidade, da crítica azeda ou do elogioirreverente, em páginas ou desabafos que muitas vezes revelam essa amargurada raiva pelavida de infortúnio tão doridamente experimentada. Mas nesse modo de se revelar uminconformista conformado com o seu destino, estas Cartas na Mesa muito contribuem para amelhor compreensão da obra literária de Luiz Pacheco, marcada por uma firme vontade deintervenção, e longe de qualquer espécie de literatice, confirmando a sua vocaçãoepistolográfica nas largas centenas de cartas que escreveu a tantíssima gente, sob os maisvariados pretextos, e de que Cartas na Mesa se revela como o primeiro conjunto desse caudalepistolar.Serafim Ferreira
| ISBN | 9789895360574 |
|---|---|
| Ano | 2023 |
| Número de páginas | 224 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Maldoror |
| Categorias |
Livros > Literatura
Luiz Pacheco
Luiz Pacheco nasceu a 7 de Maio de 1925, em Lisboa, numa família de classe média. Estudou no Liceu Camões, onde formou o primeiro círculo de amigos, entre os quais,José Cardoso Pires e Jaime Salazar Sampaio. Foi aí também que ganhou o gosto pela escrita, e mesmo pela edição.Em 1946, iniciou funções como agente fiscal da Inspecção Geral dos Espectáculos, mas foi ainda em 1944 que começou a publicar regularmente artigos em jornais e revistas, maioritariamente de crítica literária e cultural, que lhe valeram algumas polémicas. No fim da década de 50, resolveu livrar-se do emprego fixo, abandonando definitivamente fato, gravata, a vida burguesa e o patrão aliado à censura e ao regime, mas livrou-se também do salário fixo que lhe permitia sustentar a família, já com dois filhos pequenos, passando a viver, sempre à justa, de traduções e revisão de textos.Em 1950, fundou a Contraponto, editora em que publicou autores como Raul Leal, Vergílio Ferreira, Mário Cesariny, Natália Correia e Herberto Helder, entre outros.A vida pessoal de Pacheco foi atribulada; teve oito filhos de três mães adolescentes; viu-se preso várias vezes, quer pelas relações com menores, quer pelos textos que escreveu; o abandono do emprego e a renúncia à vida burguesa trouxeram-lhe os dissabores da pobreza e a necessidade de contar com a ajuda de amigos; o refúgio no álcool durou cerca de duas décadas; a homossexualidade acompanhou-lhe a fama de libertino, e tinha muitos problemas de saúde, embora fosse reconhecidamente hipocondríaco. Tudo aproveitou enquanto escritor.Privilegiou as narrativas curtas, profundamente autobiográficas, fundando uma corrente literária que o próprio apelidou de neo-abjeccionismo. O género epistolográfico era um dos que mais lhe agradavam, juntamente com o diarístico.Passou os últimos anos da vida em lares, quase cego e com a saúde muito debilitada. Morreu a 5 de Janeiro de 2008.
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