A colonização interna foi uma imaginação recorrente no Portugal moderno. Colonizar os baldios de Trás-os-Montes ou os «incultos» dos latifúndios alentejanos foi uma preocupação de diversosintelectuais, políticos e engenheiros desde Oliveira Martins até aos anos 1960. Durante o Estado Novo, a expropriação dos latifúndios do Sul esteve no centro de intensos debates políticos, que equacionavam as vantagens de dividir por pequenos proprietários um Alentejo regado por novas barragens.Entretanto, a Junta de Colonização Interna (1936-1975) foi promovendo uma ordem rural através da multiplicação de explorações agrícolas familiares. Um dos resultados maiores destas iniciativas de ocupação agrícola do solo e povoamento rural foi a construção de sete colónias agrícolas, utopias rurais criadas através de saberes e técnicas científicas.
Este livro observa de forma caleidoscópica o fenómeno colonizador, nas suas articulações entre o reformismo agrário, o nacionalismo económico, a política hidráulica, o desemprego rural e o desenvolvimentismo do pós-Segunda Guerra Mundial. A partir de um conjunto alargado de fontes legislativas, administrativas, científicas e historiográficas, analisadas através de uma abordagem foucaultiana das relações de poder, a autora problematiza de que forma a colonização interna foi uma tecnologia de governo da população e de fabricação do território produtivo.
| ISBN | 9789726718154 |
|---|---|
| Ano | 2025 |
| Número de páginas | 475 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Ics – Imprensa de Ciências Sociais |
| Coleção | Coleção Estudos |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > História
Elisa Lopes da Silva
Elisa Lopes da Silva é historiadora no Instituto de História Contemporânea (FCSH NOVA Universidade de Lisboa/In2Past), no qual coordena o grupo de investigação Economia e Sociedade. Tem-se dedicado à história do Estado moderno, às relações entre agricultura, política e trabalho, em especial durante o Estado Novo, e a debates no âmbito da teoria da história. Participou em investigações colaborativas de ciência cidadã no contexto do projecto europeu COESO – Collaborative Engagement on Social Issues. Desde 2023, está a fazer uma história crítica do desemprego em Portugal durante o século XX. Editou o número especial «Polémicas da História: debates historiográficos e espaço público», na revista Práticas da História. Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past, da qual é co-fundadora e membro da conselho editorial. É também membro do conselho editorial da Imprensa de História Contemporânea (IHC). O livro Colonizar a Metrópole – Estado, Ciência e Técnicas de Colonização Interna durante o Estado Novo resulta de uma edição revista da sua tese de doutoramento, defendida em 2020 no Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa. |


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