Professor primário em zonas rurais, o contacto com as desigualdades sociais e com as carências das classes mais desfavorecidas inspira Afonso Ribeiro para uma prosa atenta à verosimilhança da fala das personagens, aos seus problemas e escravidões. Reclamando, desde os seus primeiros escritos, a falsidade de qualquer visão idílica sobre o homem do campo, denuncia a pobreza moral de proprietários, proclamando a necessidade de olhar para o mundo rural com olhos diferentes dos que tinham habituado o leitor a ver, na ficção campestre, o casticismo, a vida sadia ou a sobrevivência de valores decaídos. “Falar do homem do campo, do trabalhador da terra e esquecer as suas angústias inconfessadas, os seus músculos doridos, o seu olhar triste – da tristeza horrível que nada aguarda, nada! – parece-me feio embuste”, confessaria o escritor ao historiador de literatura e crítico literário Alexandre Pinheiro Torres, no fim da década de 70, numa das raras entrevistas que concedeu.
A obra Povo (1947) tem o mérito de nos transportar à realidade de uma vida nem sempre apreciada com aquele sentido de observação que só temperamentos especiais, invulgarmente penetrantes, podem captar.
| ISBN | 9789899092600 |
|---|---|
| Ano | 2022 |
| Número de páginas | 185 |
| Edição | 1 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Edições Esgotadas |
| Coleção | Afonso Ribeiro |
| Categorias |
Livros > Literatura
Ribeiro, Afonso
Afonso Ribeiro nasceu em 1911, na Vila da Rua, Moimenta da Beira, foi professor primário e conhecedor profundo das classes pobres das zonas rurais, da sua vida árdua, aliada à falta de solidariedade dos proprietários de terras. Inspiração que passou, sem artifícios, para os seus catorze livros, nos quais desmistifica a vida feliz e saudável da vida no campo e constrói narrativas reais de existências tristes, de fome, doença e trabalho agrícola “escravo”. Como um dos fundadores do Sol Nascente, em 1938 publicou Ilusão Na Morte, obra censurada pela PIDE,que o consagrou como precursor do neorrealismo. A sua vida ficou marcada pela perseguição do regime de Salazar, que o impediu de ser docente, o levou para o jornalismo, e até após a sua fuga para Moçambique, não só lhe fechou todas as portas, como chegou a levá-lo para a prisão. Dez anos após o seu regresso a Portugal, em 1986, já mergulhado num certo esquecimento e falta de dinheiro, escreve ainda A Árvore e os Frutos. O brilhante autor e contista da Vila da Rua morreu em Cascais, em 1993. Obras publicadas pelo autor: Ilusão na Morte (novelas), 1938 Plano Inclinado (romance), 1941 Aldeia (romance), 1943 Trampolim (romance), 1944 Trilogia Maria (romance), 1947; 1956; 1959 Povo (contos), 1947 Escada de Serviço (romance), 1946 O Pão da Vida (romance), 1956 O Caminho da Agonia (romance), 1959 Três Setas Apontadas ao Futuro (Teatro). 1959 Da Vida dos Homens (contos), 1963 África Colonial (contos), 1977 Os Comedores de Fomes (romance), 1983 A Árvore e os Frutos (romance), 1986 |


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